Tô de Cara!

Janeiro 25, 2008

AS 4 PRINCIPAIS “TENDÊNCIAS” DO SÃO PAULO FASHION WEEK

Tenho uma birra imensurável com a palavra tendência. Uso sempre direções. A mídia especializada já fez uma cobertura excepicional para o São Paulo Fashion Week, mas qual é o legado que essa edição deixa para a moda e o país? Segue as três principais direções que vi, amei e aposto

INTERATIVIDADE

Mais que a diversidade proposta, essa edição do SPFW foi pautada pela interatividade proporcionada pela evolução tecnológica. Em um treinamento de representantes, disse vez que o vídeo é para o século XXI o que a foto foi para o século XX e o São Paulo Fashion Week confirmou minha teoria.Cada vez menos dependemos de coberturas formais, feitas por grandes veículos. A produção de conteúdo independente ganha cada vez mais destaque na mídia, e o mais impressionante é a qualidade de conteúdo produzido. Cada vez mais rápido e cada vez mais próximo do real.

  • Alexandra Farah seu Macbook, e sua câmera. Ao vivo, da primeira fila para a o mundo.

A super antenada Alexandra Farah deu uma aula de tecnologia. Transmitiu direto da primeira fila com uma câmera portátil, seu Macbook e um celular os três minutos de desfile permitidos.  Simples e eficiente, inclusive sem provocar atrasos ou adiantar desfiles. Foi destaque, inclusive, no GNT Fashion.O conteúdo está disponível no site Filme Fashion.

  • Oficina de Estilo – de gente como a gente para a gente

A cobertura feita pelas personal stylists Fernanda Resende e Cristina Gabrielli foi, de longe, a mais “paupável” realizada pela mídia indie, graças ao toque especial da dupla em traduzir o universo da Moda para o dia-a- dia de gente como a gente. Além disso, rendeu ótimas risadas, como os “vídeo-tours pela Bienal.Para quem não dispensa uma cobertura formal de qualidade temos ainda disponível na Web “zilhões” de vídeos do GNT Fashion, em seu canal on-line no globo.com 

 Ok, Erika Palomino tem razão quando diz que nada substitui as sensações que sentimos na sala de desfile durante um desfile incrível. Mas como todos os amantes de moda não podem estar lá, essa interatividade só pode ser benéfica, não é?

 NÃO CONFUNDA RAPADURA COM MELADO

Como diria o dito popular, a rapadura é doce, mas não é mole não, se fosse mole seria melado. O mundo Fashion é glamouroso sim,  mas ninguém disse que é tudo fácil.

  • E a gente que achava que o pior do Rio Tietê era a Marginal Parada.

Nina Lemos escreveu um ótimo artigo para a Folha sobre o receio dos fashionistas em assistirem ao desfile, as margens do Rio Tietê. Realmente de muito perto é muito pior.

Para os não assinantes da Folha segue a introdução do artigo:

 “E se eu pegar alguma doença?” “Será que eu levo repelente?” As frases, ditas em tom de apreensão, estavam na boca de convidados da Cavalera para o desfile da grife, previsto para acontecer na manhã de hoje em um barco no meio do rio Tietê.
O temor está ligado ao medo de ser “atingido” pela poluição do rio, que recebe cerca de três bilhões de litros de esgoto por dia. A grife escolheu o local para fazer ao mesmo tempo um protesto contra a poluição no rio.
O receio dos formadores de opinião relativo a locação do desfile me assusta. Não, não penso que a moda vá salvar o mundo, apesar de que o São Paulo Fashion Week muitas vezes tenta. Sem conscientização não há mudança, e o desfile da Cavalera foi uma ação de conscientização louvável. Claro que sempre temos receio do que é novo, mas penso que o foco nos “efeitos colaterais” do desfile deveria ter sido tratado como secundário. Quem sabe um dia vamos ver as ações que propostas bacanas pelas marcas e pelo próprio evento transportadas para o mundo da moda emescala fast-fashion.

  • Educação? Quem sabe quando for tendência

A Elza não é modelo famosa, não é editora, não é estilista, não é assessora de imprensa, patrocinadora, chefe da segurança, nada demais. Mas foi uma das “personalidades” mais lembradas nesse São Paulo Fashion Week. A freqüência com que “deram a Elza”, eufemismo fashionista para roubar, foi altamente comentada nessa edição.

A forma mais óbvia de “dar a Elza”,é a que Érika Palomino comentou em um de seus posts, no blog dentro de seu site. É caso de polícia, não há argumento que justifique. Afinal, dentro da Bienal não esbarramos em muitos injustiçados socialmente, duvido que alguém que praticou esses roubos o fez por culpa do sistema ou que utilizará o dinheiro para necessidades básicas (lembrando sempre que calças Diesel NÃO são categorizáveis como necessidade básica).

 A outra forma de dar a Elza, a mais presente, altamente praticada e tolerada, é aquela com as quais nos deparamos quando encontramos alguém em nosso lugar na sala de desfile ou ainda vemos que o brinde de nossas cadeiras sumiu. Esse relato hilário no site da Fiat primeiro faz rir, depois  revolta. Explico o porquê na seqüência.Na minha visão, é um roubo tão grave quanto qualquer outro sentar em um lugar que não está marcado em seu convite, nem foi indicado pela assessoria de imprensa ou monitoria da sala de desfile. O investimento de um show pode chegar a 2 milhões de reais. Uma sala bem grande de desfiles comporta 1000 convidados sentados. Então cada convidado custa à marca aproximadamente R$ 2000,00.Esses convidados são mapeados por pessoas especializadas, de acordo com os interesses da marca que realizou o desembolso. Então quando sentamos em um lugar ao qual não pertencemos estamos, no mínimo, “roubando” os 2 mil reais investidos pela grife. O mesmo ocorre com os brindes, os patrocinadores investem para que sua marca chegue às pessoas certas, de acordo com seus interesses. E se você não recebeu o brinde em questão, não é a pessoa certa.Esses pequenos objetos e vitórias são tratados como troféus por algumas pessoas. Mas as vejo como os penetras de uma festa, elas podem até estar ali, mas no fundo todos sabemos que não pertencem ali. É chato estar sem pertencer, não é?É nessas horas que imagino, o marido perfeito da Elza não seria o Gerson, com sua lei?

  • Bem vindos à Era do Amor Fashion

Não conheço ninguém que teve algum tipo de contato profissional com o estilista Lorenzo Merlino e não tem uma boa história para contar, eu inclusive.

Como diria professor Peruzzo, estamos na Era do Amor. Em tempos em que os valores éticos e a “bondade” são vangloriados, temos que ter muito cuidado com o quê, como e onde fazemos, além de com quem nos associamos. A repercussão pode ser enorme e catastrófica. Porque está cada vez mais difícil esconder  sujeira debaixo do tapete. Mesmo que a sujeira não seja sua, como alega o estilista.

Hoje,  vi que essa história era capa da Flash. E concluo que no fundo todo esse basfond será benéfico para o estilista. Ele sempre será lembrado por alguma coisa, o que não conseguiu até hoje com seus desfiles altamente irregulares.

Para entender melhor:

Ego @ Globo.com

Estadao.com

Chic.com.br 

Uol.com.br/moda

Alcino Leite Neto e Camila Yahn para a Folha

Mônica Bergamo para Folha

Não quero discutir de quem a culpa, todos somos culpados e inocentes dependendo do ponto de vista e há um juiz designado para isso. Sinto muito pelo stress que a situação causou aos envolvidos. Mas que eu adorei ver a Era do Amor chegar ao SPFW, adorei.

OTIMISTA, PERO NO MUCHO

Estava muito curiosa para ver como seria a primeira São Paulo Fashion Week na era dos conglomerados. Já sabia que o desfile da Zoomp seria incrível, sem “pirotecnias”. Já esperava alguma “pirotecnia” por parte das novas holdings, afinal ninguém faria o aporte que fez sem esperar um retorno grandioso em troca, mesmo que o primeiro reflexo fosse a atenção da mídia.

Passado o entusiasmo inicial, chega a hora de pensar como tudo irá funcionar na prática.  Dentre os comentários sobre o assunto que mais chamaram minha atenção, um pessimista e um realista deram uma luz para essa otimista crônica que vos escreve.

Oskar da Osklen, em entrevista  para o GNT Fashion, comentou que só o aporte de capital não basta para ele vender a grife dele. É necessário um plano negócio estruturado. Também que havia recebido várias propostas para vender sua grife mas nenhuma fez seus olhos brilharem.

Já Regina Guerreiro fez a pessimista para o Chic e disse que, na opinião dela a moda brasileira ainda não está pronta para isso. Quem sou eu, para discordar dela, afinal ela tem mais anos de moda que eu de vida.  Refleti bastante, e mesmo que a moda não esteja pronta para a era dos conglomerados o aprendizado será benéfico. Ganhamos de qualquer jeito.

Mas o maior alarde não veio daqui. Em entrevista para a Reuteurs, comentada aqui pela UOL, Valentino, que se despediu da moda nessa semana, diz que as empresas arruinaram a moda. Um pouco azedo, penso eu, mas com a sabedoria incontestável que seus 75 anos e quase 5 décadas de moda.

O que achei mais bacana foi a crítica que ele faz sobre os jovens estilistas. Temos jovens estilistas de mais, muitos de The Next Best Thing. Outro destaque é quando ele comenta sobre como o bussiness massacrou a criatividade, em sua opinião.

Muito se discute sobre o tal DNA, Identidade, Cara da Moda Brasileira, como queiram, além das cópias difundidas em praticamente todos os níveis da moda no país. Mas se entramos com essas questões mal resolvidas em uma era em que serão cobradas das empresas de moda cada vez mais rentabilidade, penso eu, será que Regina Guerreiro não tem razão?

A quarta “tendência” fica para noite, ok?

Janeiro 21, 2008

2×0 para mim contra a Preguiça Fashion

Arquivado em: Eu vi e amei!, Temporada de Moda — Tags:, — Charmene de Cara @ 2:28 am

Venci minha preguiça fashion e fui para a Bienal, só dois dias nessa edição e pelo primeiro ano em anos só para ver. No primeiro dia fui especialmente e somente para ver o desfile da Zoomp. A sensação de estou aqui por que quero é bem diferente da que estou aqui porque preciso. Tinha esquecido, o drama pré-entrada fica mais leve e até liguei menos para a aglomeração na frente da sala 01 que normalmente me faria bufar.

Duas voltas no estacionamento e uma conversão proibida na Av. Ibirapuera depois achei melhor deixar o carro no estacionamento ao lado do Detran e ir a pé. Consegui entrar na Bienal exatamente no horário de inicio oficial do desfile.

A coordenadora de estilo foi a primeira pessoa que encontrei e ela me contou que o desfile começaria pontualmente as 20:00 porque seria transmitido pela GNT e eu amei. Atrasos intermináveis me dão uma preguiça imensurável. Entrei 10 minutos antes e fui para meu lugar esperar. Estava absurdamente ansiosa, quase não conseguia ficar sentada. Quem me conhece sabe que normalmente eu estou sempre de pé e andando de um lado para o outro e fumando quando fico assim. Não dava para fazer nada disso. Cantarolar talvez.

Então quando aconteceu um draminha, dei o meu lugar para uma das meninas do comercial. Alguém estava sentado no lugar dela , o que eu acho o fim do mundo. Faltava dois minutos para o desfile começar, a sala estava abarrotada e decidi que ela merecia mais o meu lugar que eu, afinal está ralando no showroom o dia inteiro fazendo aquela coleção ganhar as multimarcas e, em consequencia, as ruas. Desde os tempos de Vicunha eu tenho um apreço especial pelo povo do Comercial, tanto que lá era praticamente o chaveiro dos representantes. Adorava ir com eles para a rua, ver o quanto eles ralam e de quebra voltar com várias idéias ótimas para as novas coleções. Tem insights que só um cliente pode dar para você, aprendi isso cedo.

O engraçado é ver como as pessoas lidam com a gentileza, estão tão não acostumadas, é um pouco triste. As monitoras da sala ficaram tão tocadas com minha atitude que organizaram uma força tarefa para me achar um lugar novo. Elas acharam um E ok, agradeci entusiadamente e mas mesmo assim preferi assistir do standing com o pessoal do PV. Lá eu sei que não ia pegar bem andar de um lado para outro, mas podia fazer umas dancinhas escondidas com o pé para aplacar um pouco da tão costumeira ansiedade. Nem deu tempo, apagaram as luzes e o desfile começou.

Tudo era muito familiar. Sorri largo em alguns momentos, como nas entradas do xadrez impossível de faturar e visualizei uma jaqueta linda feita com ela para a coleção comercial bombando de vender. Fechei a cara na entrada das peles, repeti meu bordão quase um clássico : bico grande, cara de brava e sussurro de Coelhinho. Lembrei das três bordadeiras fofas que moraram na nossa sala uns dias bordando o ponto cruz.

Tudo funcionou bem melhor que imaginei. Cada vez mais admiro o Alexandre e sua equipe, em especial o modelista chefe. Como diria a minha coordenadora, parabéns e estrelinha.

Assistir do standing foi uma experiência interessante. Estava confortável, com um All Star xadrez parte do meu récem adquirido kit Indie (pulei o Rivotril aliás, rs). Lembrei do último desfile que assisti de pé foi um da Ellus em 2003, tempos de faculdade em que simplesmente estar na sala de desfile já era uma vitória. Dessa vez, um pouco mais madura, curti bastante. Como já disse a sensação de fazer algo por que quer é muito diferente do que porque preciso. Onde estava via a sala de desfile inteira, reparei muito na reação do público a nova Zoomp, eles foram super receptivos. Tenho um pouco de aversão de reações muito entusiasmadas mas não pude deixar de sorri quando o povo do comercial recebeu a entrada de Carol Trentini com gritinhos histéricos e aplausos. Lembrei do dia que estava em um desfile da Triton e uma carta de metro voou por cima de meu ombro em direção da Gisele. Aquele dia eu não sorri, eu chorei de rir. Achei ao mesmo tempo absurdamente fofo e altamente inadequado. Combinação deliciosa.

Saí antes de todo mundo e em 5 minutos já estava no WGSN, conversando com a fofissima da Paula Fajardo, que está de mudança para Paris. Logo estava de conversinha com o povo de lá mais um dinamarquês fofo (e devido ao meu histórico, muito provavelmente gay) que estava me dando borboletas. As borboletas se juntaram com aquela sensação boa que sempre tenho depois que assisto um defile bom e saí da Bienal com um humor maravilhoso duas horas depois.

Prepararei um resumo do que eu mais gostei nessa edição para postar durante a semana, já adianto que será um resumo muito meu, com muito pouca passarela e muitas impressões. Mas já adianto que quase “peguei emprestado” um pé da Melissa Joy by Alexandre Herchcovitch que estava na parede do lounge deles e saí fazendo o saci pererê feliz pela Bienal. Mas novamente achei melhor não e saí no sábado com borboletas de novo. Essas, diferentemente das causadas pelo dinamarquês, eu mato em março, rs.

Janeiro 9, 2008

A tal da preguiça Fashion

Arquivado em: Temporada de Moda — Tags:, , — Charmene de Cara @ 4:54 pm

Lembro que algum tempo atrás, quando a temporada de moda começava eu era acometida pela preguiça Fashion, aquela vontade de não ver nada, não levar duas horas para estacionar na Bienal. Vontade de não sentir daquela falta de emoção que os desfiles mais ou menos causam, de não querer esbarrar em 15 milhões de estrelas. Afinal no prédio da Bienal, do chefe da segurança até a top model todo mundo é estrela! Ai que preguiça!

O tempo passou e eu era obrigada a vencer essa letargia fashion pré temporada e ir trabalhar. E pela primeira vez em 5 anos eu não terei que ir para lá (até agora pelo menos, sabe como é). Estou completamente dominada pela preguiça Fashion, que estou tentando vencer com acompanhando o Fashion Rio, mexendo nos meus arquivos do SPFW, pensando nas coisas que valem a pena.

Até semana que vem espero que passe.

Dezembro 29, 2007

São Paulo Fashion Week Files – Montagem

O fim do ano é normalmente época de descanso, recesso, balanço. Mas para os fashionistas do Brasil é época de intensa preparação. A temporada de moda começa em janeiro, então o fim do ano é marcado pela alucinante correria pré-temporada.

Na edição de janeiro de 2006 tive a oportunidade de integrar a equipe que coordenou a montagem do Lounge Vicunha Galeria. Para quem não está familiarizado, os patrocinadores recebem seus convidados em um hospitality center no prédio da Bienal durante a semana de moda. Nessa ocasião tive a oportunidade de vivenciar a estruturação do evento.

A organização da montagem é impecável, ponto para Luminosidade. Tudo na hora certa, tudo funciona. Brinco que a montagem funciona até melhor que o evento. Montar um hospitality center é uma tarefa ardua que começa bem antes da montagem propriamente dita.

Cerca de 5 meses antes inicia o planejamento, contato com montadoras, a pesquisa e definição do conceito. O martelo para o início do trabalho operacional só seria batido em novembro/dezembro, com todas as definições, com os orçamentos aprovados. Parece simples, mas demanda muito trabalho, diversas apresentações, incontáveis reuniões. E ansiedade. Por exemplo, para esse projeto, conseguimos a aprovação do orçamento na penúltima semana de dezembro, recebemos a notícia no almoço de confraternização de fim de ano da empresa. Ir para casa depois? Que nada, toca todo mundo voltar para o escritório para dar o start na montagem.

Parece que nada vai dar certo. Na reunião para fecharmos a programação do lounge, nada parecia se encaixar. A melhor conclusão aquele dia foi que, caso tudo desse errado, um bar pelo menos nós tinhamos e iríamos as três subir em cima dele e fazer uma performance ao som de don’t you wish your girlfriend was hot like me! Sorte do mondo fashion que isso não foi necessário.

O fim de dezembro e início de janeiro é pautado por uma correria alucinante, para reunirmos todo o material necessário para o projeto ganhar vida. Dependendo da temática isso implica alguns momentos nada glamourosos, e até um tanto desesperadores.

No Vicunha Galeria tinhamos uma oficina de criação, monitorada por alunos do Projeto Pescar, que visa a capacitação profissional de jovens carentes. Para essas oficinas os alunos receberam um intenso treinamento sobre arte contemporânea, ministrado por artistas plásticos como Nino Cais e Estela Sokol, que fazem parte do casting da Galeria Virgilio, além de uma visita monitorada à galeria. Eu era a responsável pelo treinamento, imagine a logística necessária para acomodar 24 adolescentes para almoçar no Mc Donalds da Hennrique Schaumann. Meu desespero era tão latente que tive ajuda total do gerente para a tarefa, que me olhava com aquela cara de “tadinha dela” que dava pena de mim mesma.

Participantes do Projeto Pescar

Outro momento memorável foi um dos adolescentes mexendo em uma obra de Nino Cais na Galeria, que consistia em um martelo pressionando uma xicara contra a parede, parte de seus exercícios com o ponto de equilíbrio dos objetos. Posso dizer que demorei 3 horas para recuperar o ar perdido na hora que vi o garoto puxando o martelo. Por sorte, estava afixado à xícara para exposição e não gerou nenhum dano. Era mais interação com arte moderna que eu podia suportar!

Na categoria “Glamour Zero” temos a visita ao cemitério de acrilíco, guiada pela Estela Sokol. Passei um sábado coletando lixo para ser utilizado como material nas oficinas, o lugar era medonho mas rendeu ótimas risadas.

Eu com cara de criança no cemitério de acrìico!

Depois da intensa preparação chega a hora da montagem do espaço em si. Lembro o choque que foi entrar na Bienal underconstruction alguns dias antes do início dos desfiles As estruturas moduláveis que dão forma ao evento já estavam nos seus devidos lugares, mas o prédio era ainda uma profusão de fios e acabamentos por fazer. Foi a primeira edição com as paredes forradas em papelão e fiquei embasbacada: achei brilhante. Ok, brilhante na primeira e segunda vez, depois cansou um pouco. Hora de algo novo, penso eu.

O papelão na parede da Bienal, um dia antes do inãio da SPFW de Inverno 2006

A montagem da estrutura em si é talvez o mais impactante, os detalhes de última hora consomem muito. O bar concebido pelo artista plástico (e empresário da noite) Diego Belda, do CB e Casa Belfiore, havia sido projetado em cima da planta do HC anterior. Ou seja, não cabia. Nada que não pudesse ser contornado.

Diego Belda na montagem do bar

É inegável como esses detalhes de última hora stressam, corroem. Cheguei a rodar a cidade inteira em um taxi que custou quase R$ 200,00 para resolver alguns desses últimos detalhes, fazer produção para a Hostess (vestida pela Fabia Bercsek, Samuel Cirnansck e Thais Gusmão), buscar sapatos para as bonecas moduláveis. Aliás eu praticamente morava dentro de táxis nessa época. Inesquecível.

Último dia de montagem

Por mais que Murphy apronte as suas é incrível como tudo dá certo no fim. Tudo pronto para a abertura, dá aquela sensação deliciosa de dever cumprido. Ledo engano, é aí começa a parte pesada do trabalho em si. Mas isso é assunto para um outro post.

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