Tô de Cara!

Março 14, 2008

O LADO B DA MODA BRASILEIRA

Arquivado em: Eu vi e aposto — Tags:, , , , , , — Charmene de Cara @ 5:54 pm

Sempre senti uma atração enormer pelo lado B da moda brasileira. Aquele lado que tem zero glamour, que o foco é no custo e que concentra algumas das maiores indústrias do setor no país. Adorava ir para o Brás com os representantes, nos tempos da indústria têxtil. Era garantia de bons negócios em manhãs e tardes divertidas.

Hoje, a convite da Marli Vernille, fui ao evento de lançamento da Canatiba. E aproveitei para passear um pouco pelo bairro, o que não fazia há quase um ano. Eu sempre me surpreendo no Brás. E a supresa de hoje ficou por conta do Mega Pólo Moda.

O release diz que são mais de 400 lojas, e que o shopping mudou a forma de fazer compras no Brás, considerado o maior da pronta entrega no país. Nunca havia me sentido atraída em conhecer o local. Até hoje.

 Mega Polo 

A organização é impecável. A limpeza de decoração de bom gosto. A comunicação visual precisa e agradável. As vitrines espelham as tendências com um toque particular. Os funcionários com quem tive contato são bem treinados. Em resumo, foi uma supresa muito feliz conhecer o shopping. Deu vontade de explorar todos os cantinhos, o que não tive tempo de fazer hoje. Mas volto em breve e conto mais. 

Sempre que vou para o Brás não deixo de admirar a Bivik. O prédio gigante na Rua Barão de Ladário, abriga aquela que é considerada hoje a maior confecção do país. Discretos, Pierre, o dono, não fala de números mas estima-se hoje que a produção da marca gire em torno de 1 milhão de peças por mês.

 Bivik  

A Bivik é hoje benchmarking absoluto no Brás. Faz uma moda com informação, mas simples. O foco é em oferecer para o lojista o melhor preço, mas isso não quer dizer que o produto não tenha qualidade. Uma ótima interpretação de custo x benefício.

Além do Brás, outros pólos confeccionistas me atraem, como Toritama em Pernambucano. Sei que são hoje o segundo maior pólo consumidor de índigo (o tecido) no país (atrás de quem, advinha?), e que entregar por lá é o pior pesadelo das empresas de logística das indústrias têxteis, devido ao alto índice de roubo de cargas.

Alguém conhece bem? Conta!

Janeiro 25, 2008

AS 4 PRINCIPAIS “TENDÊNCIAS” DO SÃO PAULO FASHION WEEK

Tenho uma birra imensurável com a palavra tendência. Uso sempre direções. A mídia especializada já fez uma cobertura excepicional para o São Paulo Fashion Week, mas qual é o legado que essa edição deixa para a moda e o país? Segue as três principais direções que vi, amei e aposto

INTERATIVIDADE

Mais que a diversidade proposta, essa edição do SPFW foi pautada pela interatividade proporcionada pela evolução tecnológica. Em um treinamento de representantes, disse vez que o vídeo é para o século XXI o que a foto foi para o século XX e o São Paulo Fashion Week confirmou minha teoria.Cada vez menos dependemos de coberturas formais, feitas por grandes veículos. A produção de conteúdo independente ganha cada vez mais destaque na mídia, e o mais impressionante é a qualidade de conteúdo produzido. Cada vez mais rápido e cada vez mais próximo do real.

  • Alexandra Farah seu Macbook, e sua câmera. Ao vivo, da primeira fila para a o mundo.

A super antenada Alexandra Farah deu uma aula de tecnologia. Transmitiu direto da primeira fila com uma câmera portátil, seu Macbook e um celular os três minutos de desfile permitidos.  Simples e eficiente, inclusive sem provocar atrasos ou adiantar desfiles. Foi destaque, inclusive, no GNT Fashion.O conteúdo está disponível no site Filme Fashion.

  • Oficina de Estilo – de gente como a gente para a gente

A cobertura feita pelas personal stylists Fernanda Resende e Cristina Gabrielli foi, de longe, a mais “paupável” realizada pela mídia indie, graças ao toque especial da dupla em traduzir o universo da Moda para o dia-a- dia de gente como a gente. Além disso, rendeu ótimas risadas, como os “vídeo-tours pela Bienal.Para quem não dispensa uma cobertura formal de qualidade temos ainda disponível na Web “zilhões” de vídeos do GNT Fashion, em seu canal on-line no globo.com 

 Ok, Erika Palomino tem razão quando diz que nada substitui as sensações que sentimos na sala de desfile durante um desfile incrível. Mas como todos os amantes de moda não podem estar lá, essa interatividade só pode ser benéfica, não é?

 NÃO CONFUNDA RAPADURA COM MELADO

Como diria o dito popular, a rapadura é doce, mas não é mole não, se fosse mole seria melado. O mundo Fashion é glamouroso sim,  mas ninguém disse que é tudo fácil.

  • E a gente que achava que o pior do Rio Tietê era a Marginal Parada.

Nina Lemos escreveu um ótimo artigo para a Folha sobre o receio dos fashionistas em assistirem ao desfile, as margens do Rio Tietê. Realmente de muito perto é muito pior.

Para os não assinantes da Folha segue a introdução do artigo:

 “E se eu pegar alguma doença?” “Será que eu levo repelente?” As frases, ditas em tom de apreensão, estavam na boca de convidados da Cavalera para o desfile da grife, previsto para acontecer na manhã de hoje em um barco no meio do rio Tietê.
O temor está ligado ao medo de ser “atingido” pela poluição do rio, que recebe cerca de três bilhões de litros de esgoto por dia. A grife escolheu o local para fazer ao mesmo tempo um protesto contra a poluição no rio.
O receio dos formadores de opinião relativo a locação do desfile me assusta. Não, não penso que a moda vá salvar o mundo, apesar de que o São Paulo Fashion Week muitas vezes tenta. Sem conscientização não há mudança, e o desfile da Cavalera foi uma ação de conscientização louvável. Claro que sempre temos receio do que é novo, mas penso que o foco nos “efeitos colaterais” do desfile deveria ter sido tratado como secundário. Quem sabe um dia vamos ver as ações que propostas bacanas pelas marcas e pelo próprio evento transportadas para o mundo da moda emescala fast-fashion.

  • Educação? Quem sabe quando for tendência

A Elza não é modelo famosa, não é editora, não é estilista, não é assessora de imprensa, patrocinadora, chefe da segurança, nada demais. Mas foi uma das “personalidades” mais lembradas nesse São Paulo Fashion Week. A freqüência com que “deram a Elza”, eufemismo fashionista para roubar, foi altamente comentada nessa edição.

A forma mais óbvia de “dar a Elza”,é a que Érika Palomino comentou em um de seus posts, no blog dentro de seu site. É caso de polícia, não há argumento que justifique. Afinal, dentro da Bienal não esbarramos em muitos injustiçados socialmente, duvido que alguém que praticou esses roubos o fez por culpa do sistema ou que utilizará o dinheiro para necessidades básicas (lembrando sempre que calças Diesel NÃO são categorizáveis como necessidade básica).

 A outra forma de dar a Elza, a mais presente, altamente praticada e tolerada, é aquela com as quais nos deparamos quando encontramos alguém em nosso lugar na sala de desfile ou ainda vemos que o brinde de nossas cadeiras sumiu. Esse relato hilário no site da Fiat primeiro faz rir, depois  revolta. Explico o porquê na seqüência.Na minha visão, é um roubo tão grave quanto qualquer outro sentar em um lugar que não está marcado em seu convite, nem foi indicado pela assessoria de imprensa ou monitoria da sala de desfile. O investimento de um show pode chegar a 2 milhões de reais. Uma sala bem grande de desfiles comporta 1000 convidados sentados. Então cada convidado custa à marca aproximadamente R$ 2000,00.Esses convidados são mapeados por pessoas especializadas, de acordo com os interesses da marca que realizou o desembolso. Então quando sentamos em um lugar ao qual não pertencemos estamos, no mínimo, “roubando” os 2 mil reais investidos pela grife. O mesmo ocorre com os brindes, os patrocinadores investem para que sua marca chegue às pessoas certas, de acordo com seus interesses. E se você não recebeu o brinde em questão, não é a pessoa certa.Esses pequenos objetos e vitórias são tratados como troféus por algumas pessoas. Mas as vejo como os penetras de uma festa, elas podem até estar ali, mas no fundo todos sabemos que não pertencem ali. É chato estar sem pertencer, não é?É nessas horas que imagino, o marido perfeito da Elza não seria o Gerson, com sua lei?

  • Bem vindos à Era do Amor Fashion

Não conheço ninguém que teve algum tipo de contato profissional com o estilista Lorenzo Merlino e não tem uma boa história para contar, eu inclusive.

Como diria professor Peruzzo, estamos na Era do Amor. Em tempos em que os valores éticos e a “bondade” são vangloriados, temos que ter muito cuidado com o quê, como e onde fazemos, além de com quem nos associamos. A repercussão pode ser enorme e catastrófica. Porque está cada vez mais difícil esconder  sujeira debaixo do tapete. Mesmo que a sujeira não seja sua, como alega o estilista.

Hoje,  vi que essa história era capa da Flash. E concluo que no fundo todo esse basfond será benéfico para o estilista. Ele sempre será lembrado por alguma coisa, o que não conseguiu até hoje com seus desfiles altamente irregulares.

Para entender melhor:

Ego @ Globo.com

Estadao.com

Chic.com.br 

Uol.com.br/moda

Alcino Leite Neto e Camila Yahn para a Folha

Mônica Bergamo para Folha

Não quero discutir de quem a culpa, todos somos culpados e inocentes dependendo do ponto de vista e há um juiz designado para isso. Sinto muito pelo stress que a situação causou aos envolvidos. Mas que eu adorei ver a Era do Amor chegar ao SPFW, adorei.

OTIMISTA, PERO NO MUCHO

Estava muito curiosa para ver como seria a primeira São Paulo Fashion Week na era dos conglomerados. Já sabia que o desfile da Zoomp seria incrível, sem “pirotecnias”. Já esperava alguma “pirotecnia” por parte das novas holdings, afinal ninguém faria o aporte que fez sem esperar um retorno grandioso em troca, mesmo que o primeiro reflexo fosse a atenção da mídia.

Passado o entusiasmo inicial, chega a hora de pensar como tudo irá funcionar na prática.  Dentre os comentários sobre o assunto que mais chamaram minha atenção, um pessimista e um realista deram uma luz para essa otimista crônica que vos escreve.

Oskar da Osklen, em entrevista  para o GNT Fashion, comentou que só o aporte de capital não basta para ele vender a grife dele. É necessário um plano negócio estruturado. Também que havia recebido várias propostas para vender sua grife mas nenhuma fez seus olhos brilharem.

Já Regina Guerreiro fez a pessimista para o Chic e disse que, na opinião dela a moda brasileira ainda não está pronta para isso. Quem sou eu, para discordar dela, afinal ela tem mais anos de moda que eu de vida.  Refleti bastante, e mesmo que a moda não esteja pronta para a era dos conglomerados o aprendizado será benéfico. Ganhamos de qualquer jeito.

Mas o maior alarde não veio daqui. Em entrevista para a Reuteurs, comentada aqui pela UOL, Valentino, que se despediu da moda nessa semana, diz que as empresas arruinaram a moda. Um pouco azedo, penso eu, mas com a sabedoria incontestável que seus 75 anos e quase 5 décadas de moda.

O que achei mais bacana foi a crítica que ele faz sobre os jovens estilistas. Temos jovens estilistas de mais, muitos de The Next Best Thing. Outro destaque é quando ele comenta sobre como o bussiness massacrou a criatividade, em sua opinião.

Muito se discute sobre o tal DNA, Identidade, Cara da Moda Brasileira, como queiram, além das cópias difundidas em praticamente todos os níveis da moda no país. Mas se entramos com essas questões mal resolvidas em uma era em que serão cobradas das empresas de moda cada vez mais rentabilidade, penso eu, será que Regina Guerreiro não tem razão?

A quarta “tendência” fica para noite, ok?

Janeiro 4, 2008

Ainda sobre o I’M

Antes de mais nada quero me desculpar. Sei que estou devendo o link da matéria do Estado. Mas para quem não tem paciência de esperar, passa no Fora de Moda que o Ricardo Oliveros postou ontem com os links para essa matéria e para a Folha de São Paulo.

Ainda na repercursão do anúncio da compra das marcas pela HLDC, o Jornal da Globo fez uma reportagem sobre o assunto que está disponível no Globo.com

Achei essa citação do Vicente Mello, presidente da I’M o máximo!

“Você tem conceitos criativos muito bons, você tem designers extremamente competentes e reconhecidos, mas falta business, falta gestão. Um quilo de algodão exportado, você tá falando de oito dólares, você transforma isso em roupa vai pra 20 dólares, se transforma essa roupa numa marca vai pra 180 dólares”

Tudo a ver com meu post sobre a Gestão na Moda.

Ps: É o assunto do momento né? Ontem meu jovem blog explodiu em visitação, espero que vocês estejam gostando do blog! E pode comentar, dar oi gente, é de graça e eu adoro, rsrsrs.

Janeiro 3, 2008

Nasce uma gigante da Moda Brasileira

Grupo HLDC anuncia quais marcas irão fazer parte do portifólio da I’M (Identidade Moda)

Hoje, no caderno de Economia e Negócios do jornal o Estado de São Paulo foi anunciada a compra das marcas Clube Chocolate, Fause Haten, Herchcovitch; Alexandre e Cúmplice pelo grupo HLDC, que ainda tem o controle das marcas Zapping e Zoomp.

A notícia confirma diversos comentários do mercado sobre as aquisições do grupo, que marcam o nascimento de um dos primeiros conglomerados de moda no país, o I’M. Há boatos não confirmados sobre a aquisição do grupo Valdac, da Siberian e Crawford, e a marca carioca Farm.

É o novo cenário da Moda Brasileira cada dia mais paupável.

Mais tarde eu coloco um scan (ou o link) da notícia aqui!

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