Venci minha preguiça fashion e fui para a Bienal, só dois dias nessa edição e pelo primeiro ano em anos só para ver. No primeiro dia fui especialmente e somente para ver o desfile da Zoomp. A sensação de estou aqui por que quero é bem diferente da que estou aqui porque preciso. Tinha esquecido, o drama pré-entrada fica mais leve e até liguei menos para a aglomeração na frente da sala 01 que normalmente me faria bufar.
Duas voltas no estacionamento e uma conversão proibida na Av. Ibirapuera depois achei melhor deixar o carro no estacionamento ao lado do Detran e ir a pé. Consegui entrar na Bienal exatamente no horário de inicio oficial do desfile.
A coordenadora de estilo foi a primeira pessoa que encontrei e ela me contou que o desfile começaria pontualmente as 20:00 porque seria transmitido pela GNT e eu amei. Atrasos intermináveis me dão uma preguiça imensurável. Entrei 10 minutos antes e fui para meu lugar esperar. Estava absurdamente ansiosa, quase não conseguia ficar sentada. Quem me conhece sabe que normalmente eu estou sempre de pé e andando de um lado para o outro e fumando quando fico assim. Não dava para fazer nada disso. Cantarolar talvez.
Então quando aconteceu um draminha, dei o meu lugar para uma das meninas do comercial. Alguém estava sentado no lugar dela , o que eu acho o fim do mundo. Faltava dois minutos para o desfile começar, a sala estava abarrotada e decidi que ela merecia mais o meu lugar que eu, afinal está ralando no showroom o dia inteiro fazendo aquela coleção ganhar as multimarcas e, em consequencia, as ruas. Desde os tempos de Vicunha eu tenho um apreço especial pelo povo do Comercial, tanto que lá era praticamente o chaveiro dos representantes. Adorava ir com eles para a rua, ver o quanto eles ralam e de quebra voltar com várias idéias ótimas para as novas coleções. Tem insights que só um cliente pode dar para você, aprendi isso cedo.
O engraçado é ver como as pessoas lidam com a gentileza, estão tão não acostumadas, é um pouco triste. As monitoras da sala ficaram tão tocadas com minha atitude que organizaram uma força tarefa para me achar um lugar novo. Elas acharam um E ok, agradeci entusiadamente e mas mesmo assim preferi assistir do standing com o pessoal do PV. Lá eu sei que não ia pegar bem andar de um lado para outro, mas podia fazer umas dancinhas escondidas com o pé para aplacar um pouco da tão costumeira ansiedade. Nem deu tempo, apagaram as luzes e o desfile começou.
Tudo era muito familiar. Sorri largo em alguns momentos, como nas entradas do xadrez impossível de faturar e visualizei uma jaqueta linda feita com ela para a coleção comercial bombando de vender. Fechei a cara na entrada das peles, repeti meu bordão quase um clássico : bico grande, cara de brava e sussurro de Coelhinho. Lembrei das três bordadeiras fofas que moraram na nossa sala uns dias bordando o ponto cruz.
Tudo funcionou bem melhor que imaginei. Cada vez mais admiro o Alexandre e sua equipe, em especial o modelista chefe. Como diria a minha coordenadora, parabéns e estrelinha.
Assistir do standing foi uma experiência interessante. Estava confortável, com um All Star xadrez parte do meu récem adquirido kit Indie (pulei o Rivotril aliás, rs). Lembrei do último desfile que assisti de pé foi um da Ellus em 2003, tempos de faculdade em que simplesmente estar na sala de desfile já era uma vitória. Dessa vez, um pouco mais madura, curti bastante. Como já disse a sensação de fazer algo por que quer é muito diferente do que porque preciso. Onde estava via a sala de desfile inteira, reparei muito na reação do público a nova Zoomp, eles foram super receptivos. Tenho um pouco de aversão de reações muito entusiasmadas mas não pude deixar de sorri quando o povo do comercial recebeu a entrada de Carol Trentini com gritinhos histéricos e aplausos. Lembrei do dia que estava em um desfile da Triton e uma carta de metro voou por cima de meu ombro em direção da Gisele. Aquele dia eu não sorri, eu chorei de rir. Achei ao mesmo tempo absurdamente fofo e altamente inadequado. Combinação deliciosa.
Saí antes de todo mundo e em 5 minutos já estava no WGSN, conversando com a fofissima da Paula Fajardo, que está de mudança para Paris. Logo estava de conversinha com o povo de lá mais um dinamarquês fofo (e devido ao meu histórico, muito provavelmente gay) que estava me dando borboletas. As borboletas se juntaram com aquela sensação boa que sempre tenho depois que assisto um defile bom e saí da Bienal com um humor maravilhoso duas horas depois.
Prepararei um resumo do que eu mais gostei nessa edição para postar durante a semana, já adianto que será um resumo muito meu, com muito pouca passarela e muitas impressões. Mas já adianto que quase “peguei emprestado” um pé da Melissa Joy by Alexandre Herchcovitch que estava na parede do lounge deles e saí fazendo o saci pererê feliz pela Bienal. Mas novamente achei melhor não e saí no sábado com borboletas de novo. Essas, diferentemente das causadas pelo dinamarquês, eu mato em março, rs.
ola. tudo bem?
peguei o link do seu blog com a Fernanda, da Oficina de Estilo.
Desculpa a cara de pau, mas ela me disse que vc trabalha na I’M e eu gostaria muito de mandar o meu cv para lá.
Vc poderia me dar o contato de alguém do RH?
super obrigada
aline
Comentário por aline — Janeiro 24, 2008 @ 11:18 am