Semana passada a revista Você S/A, da editora Abril, publicou uma matéria que considerei bastante interessante sobre a gestão na moda. Como o Ricardo Oliveros já disse, Paulo Borges cantou a bola sobre a nova realidade do mercado de moda brasileiro, que em breve deverá ser dominado por conglomerados de moda. Saem Tufis, Renatos, Valdemares e cia. e entram os acionistas.
A figura, muitas vezes temida, do acionista acarretou em um novo panorama considerando a Arquitetura Organizacional global, fator que colaborou para o fim da predominância das organizações mecanicistas. Esse panorama visa o maior lucro no menor tempo. Como? Vendendo mais e com maior rentabilidade, o mais famoso dos mantras coorporativos. Reduzindo custos, o segundo mantra coorporativo mais famoso (e talvez o mais popular fora do Comercial). E provavelmente é esse cenário que as empresas de moda enfrentarão com essa nova realidade.
Em um mercado em que a concorrência é acirrada, e os produtos são muitas vezes similares aos olhos leigos, como é o de moda, a gestão é crucial, decisiva. Temos incríveis gestores para a Marketing e Direção Criativa, com histórias impressionantes. Mas considerando o Back Office e Capital Humano, falta preparo, estrutura e visão no setor.
Talvez a área mais prejudicada seja a Administração de Recursos Humanos. Por exemplo, já pararam para reparar na alta rotatividade de estilistas? Grande parte fica no máximo 3 anos na mesma empresa, quando não lançam suas marcas próprias. Outro exemplo é como a maioria das modelistas domina com maestria a parte técnica e tem grandes dificuldades com quase todo o resto. Uma ARH atuando como agente de mudanças minizaria essas questões, catalizando, estruturando, mostrando aos colaboradores onde eles estão e para onde eles podem ir. E, principalmente, do que precisam para chegar lá. Penso no Google, na Apple, e em outras empresas de tecnologia que muitas empresas de moda e apresentam melhores resultados. Será que com estrutura similar não teríamos resultados melhores.
Acho que foi por isso que gostei tanto dessa matéria da Você S/A, ela acende uma luz. Que capitalizar não basta, tem que estruturar também. E a vinda de gestores de outros setores para atuarem no nosso setor só pode ser benéfica, desde que nós (os profissionais de moda) tenhamos a disposição de mudarmos nosso modelo mental e recebermos o crescimento com os braços abertos. Até porque o crescimento do setor é o nosso também.
Muito bom o post Charmene!!! É o nosso next big thing fashion!!
Comentário por Ricardo Oliveros — Dezembro 26, 2007 @ 3:07 pm