Tô de Cara!

Dezembro 29, 2007

São Paulo Fashion Week Files – Montagem

O fim do ano é normalmente época de descanso, recesso, balanço. Mas para os fashionistas do Brasil é época de intensa preparação. A temporada de moda começa em janeiro, então o fim do ano é marcado pela alucinante correria pré-temporada.

Na edição de janeiro de 2006 tive a oportunidade de integrar a equipe que coordenou a montagem do Lounge Vicunha Galeria. Para quem não está familiarizado, os patrocinadores recebem seus convidados em um hospitality center no prédio da Bienal durante a semana de moda. Nessa ocasião tive a oportunidade de vivenciar a estruturação do evento.

A organização da montagem é impecável, ponto para Luminosidade. Tudo na hora certa, tudo funciona. Brinco que a montagem funciona até melhor que o evento. Montar um hospitality center é uma tarefa ardua que começa bem antes da montagem propriamente dita.

Cerca de 5 meses antes inicia o planejamento, contato com montadoras, a pesquisa e definição do conceito. O martelo para o início do trabalho operacional só seria batido em novembro/dezembro, com todas as definições, com os orçamentos aprovados. Parece simples, mas demanda muito trabalho, diversas apresentações, incontáveis reuniões. E ansiedade. Por exemplo, para esse projeto, conseguimos a aprovação do orçamento na penúltima semana de dezembro, recebemos a notícia no almoço de confraternização de fim de ano da empresa. Ir para casa depois? Que nada, toca todo mundo voltar para o escritório para dar o start na montagem.

Parece que nada vai dar certo. Na reunião para fecharmos a programação do lounge, nada parecia se encaixar. A melhor conclusão aquele dia foi que, caso tudo desse errado, um bar pelo menos nós tinhamos e iríamos as três subir em cima dele e fazer uma performance ao som de don’t you wish your girlfriend was hot like me! Sorte do mondo fashion que isso não foi necessário.

O fim de dezembro e início de janeiro é pautado por uma correria alucinante, para reunirmos todo o material necessário para o projeto ganhar vida. Dependendo da temática isso implica alguns momentos nada glamourosos, e até um tanto desesperadores.

No Vicunha Galeria tinhamos uma oficina de criação, monitorada por alunos do Projeto Pescar, que visa a capacitação profissional de jovens carentes. Para essas oficinas os alunos receberam um intenso treinamento sobre arte contemporânea, ministrado por artistas plásticos como Nino Cais e Estela Sokol, que fazem parte do casting da Galeria Virgilio, além de uma visita monitorada à galeria. Eu era a responsável pelo treinamento, imagine a logística necessária para acomodar 24 adolescentes para almoçar no Mc Donalds da Hennrique Schaumann. Meu desespero era tão latente que tive ajuda total do gerente para a tarefa, que me olhava com aquela cara de “tadinha dela” que dava pena de mim mesma.

Participantes do Projeto Pescar

Outro momento memorável foi um dos adolescentes mexendo em uma obra de Nino Cais na Galeria, que consistia em um martelo pressionando uma xicara contra a parede, parte de seus exercícios com o ponto de equilíbrio dos objetos. Posso dizer que demorei 3 horas para recuperar o ar perdido na hora que vi o garoto puxando o martelo. Por sorte, estava afixado à xícara para exposição e não gerou nenhum dano. Era mais interação com arte moderna que eu podia suportar!

Na categoria “Glamour Zero” temos a visita ao cemitério de acrilíco, guiada pela Estela Sokol. Passei um sábado coletando lixo para ser utilizado como material nas oficinas, o lugar era medonho mas rendeu ótimas risadas.

Eu com cara de criança no cemitério de acrìico!

Depois da intensa preparação chega a hora da montagem do espaço em si. Lembro o choque que foi entrar na Bienal underconstruction alguns dias antes do início dos desfiles As estruturas moduláveis que dão forma ao evento já estavam nos seus devidos lugares, mas o prédio era ainda uma profusão de fios e acabamentos por fazer. Foi a primeira edição com as paredes forradas em papelão e fiquei embasbacada: achei brilhante. Ok, brilhante na primeira e segunda vez, depois cansou um pouco. Hora de algo novo, penso eu.

O papelão na parede da Bienal, um dia antes do inãio da SPFW de Inverno 2006

A montagem da estrutura em si é talvez o mais impactante, os detalhes de última hora consomem muito. O bar concebido pelo artista plástico (e empresário da noite) Diego Belda, do CB e Casa Belfiore, havia sido projetado em cima da planta do HC anterior. Ou seja, não cabia. Nada que não pudesse ser contornado.

Diego Belda na montagem do bar

É inegável como esses detalhes de última hora stressam, corroem. Cheguei a rodar a cidade inteira em um taxi que custou quase R$ 200,00 para resolver alguns desses últimos detalhes, fazer produção para a Hostess (vestida pela Fabia Bercsek, Samuel Cirnansck e Thais Gusmão), buscar sapatos para as bonecas moduláveis. Aliás eu praticamente morava dentro de táxis nessa época. Inesquecível.

Último dia de montagem

Por mais que Murphy apronte as suas é incrível como tudo dá certo no fim. Tudo pronto para a abertura, dá aquela sensação deliciosa de dever cumprido. Ledo engano, é aí começa a parte pesada do trabalho em si. Mas isso é assunto para um outro post.

Dezembro 28, 2007

The Big Bang Theory

Arquivado em: Obsessão — Tags:, , , , — Charmene de Cara @ 12:07 am

Em uma época em que as sitcoms estão cada vez menos populares, uma das supresas mais gostosas da nova safra de seriados foi The Big Bang Theory  É minha obsessãozinha de agora! Geek Glam total!

O plot é sobre dois físicos mega nerds e socialmente incapacitados que têm sua bolha estourada com a mudança de uma nova garota para o apartamento da frente. A interação entre Sheldon, Leonard e sua entourage com a girl next door Penny não poderia ser mais divertida. É literalmente humor inteligente. Mais inteligente impossível.

A série foi bem recebida pelo público e crítica americanos, chochadas apenas pelo uso daquelas annoyings risadas de fundo. Foi interrompida devido a greve dos roteiristas mas retornará para a temporada 2008/09, de acordo com comunicado oficial da CBS.

A dica é recrutar um übernerd para assistir contigo, eu assisto sempre com papai, Engenheiro Químico. Assim eu não tenho que sair correndo para o Google para procurar os absurdos que eles citam, tipo efeito Dooper, e também não perco uma piada!

Notem a atuação de Jim Parsons como Sheldon. Primeiro, finalmente alguém se tocou que o Tony Shalhoub é indicado há 4 anos (seguidos!!) para o Emmy e Globo de Ouro de melhor ator em série de comédia interpretando um portador de TOC e foi beber na fonte. Sheldon proporciona muitos dos momentos mais engraçados da série, com seus ataques e principalmente com seus honesticídios. Agora é esperar para ver se a repercursão do Sheldon será similar à de Mr. Monk.

 The Geek Gang + Penny

Foto: Halloween dos Geeks, Sheldon de Efeito Dooper, Raj de Thor, Leonard de Frodo, Wolovitz de Peter Pan e Penny de costas e passada.

Onde? Warner Channel – Terças 20:00; Quartas 00:00, 13:00; Domingos 12:30.

No site oficial dá para assistir dois episódios. Recomendo o do peixe abajur!!

Dezembro 26, 2007

Marca de roupa busca executivo

Arquivado em: Eu vi e amei! — Tags:, , , , , — Charmene de Cara @ 12:45 am

Semana passada a revista Você S/A, da editora Abril, publicou uma matéria que considerei bastante interessante sobre a gestão na moda. Como o Ricardo Oliveros já disse, Paulo Borges cantou a bola sobre a nova realidade do mercado de moda brasileiro, que em breve deverá ser dominado por conglomerados de moda. Saem Tufis, Renatos, Valdemares e cia. e entram os acionistas. 

A figura, muitas vezes temida, do acionista acarretou em um novo panorama considerando a Arquitetura Organizacional global, fator que colaborou para o fim da predominância das organizações mecanicistas. Esse panorama  visa o maior lucro no menor tempo. Como? Vendendo mais e com maior rentabilidade, o mais famoso dos mantras coorporativos. Reduzindo custos, o segundo mantra coorporativo mais famoso (e talvez o mais popular fora do Comercial). E provavelmente é esse cenário que as empresas de moda enfrentarão com essa nova realidade.

 Em um mercado em que a concorrência é acirrada, e os produtos são muitas vezes similares aos olhos leigos, como é o de moda, a gestão é crucial, decisiva. Temos incríveis gestores para a Marketing e Direção Criativa, com histórias impressionantes. Mas considerando o Back Office e Capital Humano, falta preparo, estrutura e visão no setor.

Talvez a área mais prejudicada seja a Administração de Recursos Humanos. Por exemplo, já pararam para reparar na alta rotatividade de estilistas? Grande parte fica no máximo 3 anos na mesma empresa, quando não lançam suas marcas próprias. Outro exemplo é como a maioria das modelistas domina com maestria a parte técnica e tem grandes dificuldades com quase todo o resto. Uma ARH atuando como agente de mudanças minizaria essas questões, catalizando, estruturando, mostrando aos colaboradores onde eles estão e para onde eles podem ir. E, principalmente, do que precisam para chegar lá. Penso no Google, na Apple, e em outras empresas de tecnologia que muitas empresas de moda e apresentam melhores resultados. Será que com estrutura similar não teríamos resultados melhores.


Acho que foi por isso que gostei tanto dessa matéria da Você S/A, ela acende uma luz. Que capitalizar não basta, tem que estruturar também. E a vinda de gestores de outros setores para atuarem no nosso setor só pode ser benéfica, desde que nós (os profissionais de moda) tenhamos a disposição de mudarmos nosso modelo mental e recebermos o crescimento com os braços abertos. Até porque o crescimento do setor é o nosso também.

Dezembro 20, 2007

Genesis

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, — Charmene de Cara @ 3:35 pm

Por que blogar?

a. Resolução de Ano Novo?

b. Para me expressar?

c.  Carência de origem desconhecida?

d. Desejo de produzir por produzir?

e. A hora é agora?

f. Todas as anteriores

 Assinalo a f. É por isso e muito mais que estou aqui agora.

 Charmene do que?

de Cara, desde sempre. Já escutei tantas vezes a mesma piada que virou um pouco parte mim. Charmene de Cara, prazer! Tá de Cara? Eu sei, eu também fico.

Latina, Brasileira, Paulista(na), Ipiranguista

Formada em Varejo e Negócios da Moda (habilitação em Marketing) pela Universidade Anhembi Morumbi. Cursando MBA em Gestão Empresarial na FGV (o famoso rendez vous quinzenal com os Pereiras).

Em 6 anos na área de moda, passei por assessorias de imprensa, organizei eventos, coordenei a moda em si e o desenvolvimento de produto em empresas como a Zoomp, Vicunha Textil e CBD (a.k.a Grupo Pão de Açúcar).

Em busca de uma moda menos ordinária.

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