Antes de mais nada quero pedir desculpas para quem passa por aqui por não conseguir manter uma certa regularidade nos post para o blog! Aos poucos creio que vou adquirir o ritmo de posts que desejo. Até lá peço paciência,
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Vamos ao que interessa?
É com um aperto no coração que leio as notícias que não param de pipocar sobre o grupo I’M. O que para a mídia/blogueiros em geral era, talvez, a esperança de uma realidade mais profissional e crescimento para o mercado de moda no país foi, no último ano, minha realidade e ainda é hoje a realidade de muitos amigos que fiz e ainda estão lá.: Profissionais dos mais capacitados do Mercado de Moda no Brasil, que tem meu carinho e admiração.
Não gosto muito de falar sobre esse assunto justamente por isso, por ser até certo ponto pessoal. Mas penso que a hora é agora de aprendermos com os erros da I’M e continuar acreditando em um futuro mais estruturado para a Moda aqui. E infelizmente vi tão pouco essa abordagem na mídia em geral.
É sempre muito delicado apontar erros, principalmente dos outros. Mesmo porque não sabemos a história toda, inúmeras outras coisas que não vieram a tona podem ter acontecido. Mas percebi algumas liçoes no caso do grupo que gostaria de dividir.
#01 – O TAL DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
A I’M ensinou a todos que um planejamento estratégico preciso é altamente importante. O plano era dos melhores, pensem comigo: Muitos do melhores profissionais e marcas de moda brasileiras reunidos , cada um focado em sua especialidade. O que faltou então?
O tal do planejamento estratégico. Muito mais que uma disciplina de cursos de Administração e MBA, ele é essencial para o bom funcionamento de uma empresa. Com um bom planejamento estratégico teria sido possível evitar a falta de capital de giro, fator que gerou a crise enfrentada hoje pelo grupo. Seria possível mapear essa lacuna e buscar recursos externos no momento certo.
Por isso a I’M me ensinou que um bom plano não basta: É necessário planejamento. E que ele tem que ser preciso. Senão nem o melhor dos planos sobrevive.
#02 – NÃO SABE FAZER OU NUNCA FEZ? TENHA O TELEFONE DE QUEM SAIBA OU JÁ FEZ
Quando escutamos sobre a restruturação e a troca da presidência do antigo grupo Zoomp, assim como o plano para o ano seguinte meu olho brilhou.
Quando escutei quem era o novo presidente minha sobrancelha subiu. “Mas como assim, ele vem da Forum?” Foi a pergunta que eu fiz para meu diretor, numa das que considero maiores oportunidades que perdi de ficar quieta na vida. O brilho no olho foi substituído pela minha levantada típica de sobrancelha quando me assusto com alguma coisa.
Juro que esperava alguém de fora do mercado de moda. Quero deixar claro, absolutamente nada contra o Vicente Mello, muito pelo contrário, tenho uma profunda admiração pelo profissional que ele é, além de ter sido inspirada por seu estilo de vida 100% saúde. Mas confesso que não era o que eu esperava.
Eu penso que o mercado de moda é carente de profissionais excepcionais focados no Negócio. O Vicente é um excelente presidente mas acredito que para o ambicioso plano de expansão da holding seria mais interessante ter no comando alguém de fora, com menos conhecimento do mercado, que questionasse as práticas adotadas para buscar um modelo de negócio diferenciado para o mercado e foco na rentabilidade do negócio acima de tudo.
Alguém pode sugerir um consultor. Mas considero o envolvimento do consultor restrito. E para a mudança de paradigmas de gestão que a I’M exigia para ser bem sucedida o mais interessante talvez seria mesmo o comando de alguém de fora do mercado, sem nossos vícios. No melhor esquema ninguém no mercado de moda ainda fez uma operação como essa (sim, porque penso que o AMC é outra história, lá estamos falando de uma indústria têxtil estruturada e familiar comprando outras empresas, outro conceito em termos de gestão) vamos ligar para alguém de fora que já tenha feito. Mas claro, que essa é só minha modesta opinião.
#03 – MUITO CUIDADO COM O QUE VOCÊ FAZ
Imagine o seguinte paradoxo: a mídia bombando com notícias sobre como o grupo prometia levar o mercado de moda no Brasil para o terceiro milênio e ao mesmo tempo fornecedores com o prazo de pagamento sendo prorrogado e ex-funcionários com os direitos trabalhistas atrasados. É claro que ia dar m*rda!
Já comentei no blog anteriomente a teoria do Prof. Marcelo Peruzzo, sobre a Era do Amor. O menor deslize pode ser a ruína de uma reputação.
Era uma questão de tempo até esse paradoxo ser exposto pela mídia. Com a velocidade que a informação é propagada hoje eu realmente acho que demorou até demais. Mas questão (e lição) aqui é: cuidado sempre, seus menores deslizes podem ser facilmente expostos e propagados em uma velocidade incontrolável.
E, olha que no caso do grupo I’M os deslizes nem eram tão pequenos assim. Dívida é coisa séria. No mercado de moda as dívidas por falta de planejamento são tão comum que nem nos lembramos disso. Lembro que uma vez falei isso para uma companheira e ela me disse: você não tem nem 10 anos de mercado, as coisas no mercado de moda funcionam assim mesmo. Para que eu vou pagar alguém que não está gritando? Fiquei horrorizada e achando que o problema era eu. De verdade. Parece chocante, mas ela não foi a única pessoa que eu encontrei no mercado com essa visão.
Lembro que Tommy Hilfiger pulou algumas temporadas de moda para se restruturar. Claro que cada um tem sua maneira de se restruturar, mas honrar com as obrigações imediatas é essencial para os negócios. Dívidas são necessárias para o crescimento, mas na minha visão mesmo elas tem que ser planejadas.
A Era do Amor está aí, e cabe a nós nos adaptar a ela.
#04 – NÃO ACREDITE EM TUDO QUE VOCÊ LÊ
Pela primeira vez acompanhei um basfond do lado de dentro e as vezes dava risada com as coisas que eu lia. Meu blog virou um centro de busca para contatos com o RH da I’M logo após a divulgação da formação da holding.
O mais interessante foi ver como a notícia propagava. Alguns poucos publicavam fatos novos e um monte repetia o que já havia sido publicado com pouca análise crítica. Por estar do lado de dentro dessa vez pude ver essa história com outros olhos, senão provavelmente iria achar o que a maioria das pessoas achou: que o I’M era o melhor lugar do mundo.
Nem tudo eram flores e hoje nem tudo são pedras. É muito fácil acreditar no que se lê. Difícil é desenvolver o pensamento crítico. Aprendi de pequena, meu pai sempre comprou a Folha e o Estado. Quando eu perguntei porque ele lia dois jornais se as notícias eram as mesmas ele me respondeu: porque elas são expostas em diferentes pontos de vista.
Foi justamente esse hábito herdado de meu sábio pai que me fez perceber a quantidade enorme de reprocessamento de conteúdo que temos hoje na mídia eletrônica (só não nos blogs, mas neles inclusive). Mas isso é assunto para outro post.
Enfim, no caso é questão de refletir e não tomar as coisas que lemos como verdade absoluta. Pensamento crítico é essencial, principalmente hoje em dia. Nem tudo são flores e nem pedras como eu disse. Do mesmo jeito que a mídia decretou o início da I’M decreta agora o fim, e esse é um processo um pouco mais complicado do que da maneira que está sendo exposta. Não dá para acreditar cegamente em tudo que a gente lê.
#05- NÃO DÊ PASSOS MAIORES QUE AS PERNAS
O Planejmaneto Estratégico é essencial para isso também: definir a hora certa de suas ações. Se não é hora o que custa esperar mais um pouco?
As vezes destruímos um ótimo plano porque agimos na hora errada. Será que não foi isso o que aconteceu com a I’M também? Se tudo não estava certo, precisava divulgar antes, causar esse frisson e voltar as atenções da mídia para o grupo e, consequentemente, correr o risco de ter as falhas expostas mais facilmente? Será que não era o caso de esperar a estrutura do grupo estar formada para depois divulgar?
#06 – NÃO TENHA MEDO DE ADMITIR E ( PRINCIPALMENTE) CORRIGIR SEUS ERROS
O comunicado divulgado do Grupo sobre a saída do controle do Alexandre Herchcovitch mostra que o grupo está adotando uma atitude que considero madura em relação ao assunto, admitindo alguns erros. Tão ou mais importante que ter humildade para admitir alguns erros é ter sabedoria para corrigi-los.
Eu aprendi muito na minha passagem por lá e tenho certeza que o corpo diretivo remanesecente também aprendeu. Por se tratarem de profissionais altamente capacitados, é por isso que ainda acredito no grupo, mesmo que o ritmo diminua e que as coisas não ocorram na velocidade que eles esperavam tenho certeza que as medidas necessárias para contornar essas falhas serão efetuadas. Talvez o I’M tenha que recomeçar, mudar de nome, trocar de marcas, se dissolver, mas não acredito que nada disso seja o fim.
Como já disse, apesar de não fazer mais parte da minha realidade o grupo faz parte da minha breve história e torço muito para que tudo dê certo para todos os envolvidos. E aposto que dará!
